Falta mais que água no Rio de Janeiro.

EduardoPaes2Por Gilson Moura Junior

 

Qualquer historiador meia boca que tenha contato com a história do Rio de Janeiro sabe que falta de água é um problema gigantesco, antigo e perpetuado na cidade. Apesar das obras de Carlos Lacerda terem minimizado o problema ao efetuar a construção do complexo do Guandu os problemas não foram interrompidos, especialmente na ampla área territorial que compreendem as zonas norte e oeste.

Nos últimos vinte anos no entanto o crescimento da cidade ampliou o problema e a ineficiência na gestão da CEDAE pelo governo do estado, com a cumplicidade omissa dos diversos mandatos que passaram pela prefeitura já há vinte anos, foi também ampliando.

Desde os (des) governos Garotinho e Rosinha a CEDAE passou por um processo de transformações que, mesmo com a renomeação para nova CEDAE, não só não alterou o quadro de problemas no abastecimento de água como apontam para uma preocupante lógica de desmonte com precarização que classicamente precedem a privatização dos serviços de água e esgoto do Estado.

A partir da lógica privatizante clássica do neoliberalismo maquiado pelos governos aliados do social liberalismo petista, os serviços de abastecimento de água e esgoto pioraram demais nos últimos anos.

É naturalizada a falta de água no subúrbio e na zona oeste, assim como são naturalizadas as práticas de descaso completo como atendimento das reclamações e com explicações a respeito da falta de água.

Com as obras das Trans (Transcarioca, Transoeste) o problema aumentou e sem nenhum tipo de explicação pro parte dos órgãos públicos e concessionária. Há informações de interrupção diária do fornecimento de água entre dez horas da manhã e onze horas de noite, cotidianamente, para desespero da população que sofre para tomar um mísero banho, especialmente no alto verão da cidade.

Para completar o descaso a falta de energia virou um hábito nas zonas norte e oeste, com a Light, concessionária (ir)responsável por este serviço, atuando de maneira incompetente e de forma até insidiosa buscando a partir de registros individuais de ocorrência categorizar os problemas como de foro individual, casa a casa, quando na maioria das vezes é regional, atingindo de quatro a oito quadras a bairros inteiros destas regiões.

Assim nem o hábito do uso de bombas d’água pelos moradores, calejados na situação de falhas de abastecimento, consegue dar conta desta tragicomédia cotidiana.

Além da gravidade óbvia do péssimo serviço a omissão das autoridades é gritante. Não se vê o recém reeleito prefeito Eduardo Paes, eleito capitaneando um amplo consórcio eleitoral com dezenove partidos, ter qualquer tipo de ação que atue de forma a exigir que os habitantes da cidade não sejam expostos a tal descaso. Menso ainda se vê, lê ou ouve qualquer fala do atual (des) governador Sérgio Cabral diante da óbvia incompetência e desrespeito da concessionária que pretende privatizar no que tange ao atendimento da população.

Talvez por estarem mais interessados na venda da cidade, na privatização dos serviços e no atendimento dos interesses de amigos empresários como Eike Batista e de empresas como a Delta, a CCR (Afiliada Odebrecht), os atuais mandatários prefiram ignorar a população que majoritariamente os elegeu e manter o lucrativo plano de responsabilização da Copa do Mundo e das Olimpíadas pelas ações que interessam a seus parceiro$$ e que tornam a cidade mais palatável ao visitante estrangeiro e à ciranda lucrativa que com lenços na cabeça zombam do trabalhador que diariamente sofre com sua interessada omissão.

Diante disso o que esperar das agências reguladoras que atuam menos no sentido de promoverem ações e mais no sentido teatral de fazerem cena, escada, para a permanência da lucratividade de concessionárias incompetentes?

O que esperar do consórcio presidencial, também sócio de prefeitura e governo do estado, que se diz voltado à “transformação da vida dos mais pobres” e que se cala diante do descalabro que está em curso no Rio de Janeiro?

Absolutamente nada.

Sócios do sitiamento da cidade pela Odebrecht-CCR, concessionária que atua em todos os modais de transporte de massa se não diretamente via metrô/Trem/Barcas como concessionárias dos pedágios do estado; sócios dos interesses de Eike Batista e Fernando Cavendish; sócios eleitorais e econômicos dos interesses de empreiteiras e bancos que os financiam nas eleições, e que são regiamente pagos por obras de extensão da tripa chamada metrô, Belo Monte,etc, os atuais governantes preferem calar-se e manter menos a governança que protegeria os mais pobres e mais a roda da fortuna atendida por suas ações.

E diante deste quadro o que resta à esquerda é organizar a população e buscar resistir ao trator das reformas urbanas que só atendem os lucros e expõem a população a falta de água, à falta de luz, ao descasos dos transportes, ao avanço das remoções, ao tempo perdido em ônibus cheios e mal aparelhados, ao tempo onde é jogado como sardinha em lata nos vagões superfaturados de trens e metrôs.

Falta mais que água no Rio de Janeiro, falta muito mais.

Nos cabe enquanto isso lembrar ao Prefeito e governador que a memória popular, ao contrário do que diz o mantra despolitizado e conservador, se mantém viva, e costuma vaiar em blocos quando o sorriso cínico aparece no carnaval.

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